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25 de Maio de 2020

E a diferença de gênero no Brasil, como anda?

Desventuras de um país (digo, mundo) desigual.

Karin Lisboa, Advogado
Publicado por Karin Lisboa
ano passado

Hoje acordei cedo e, como é costume, li as notícias do dia enquanto tomava o café da manhã (minha nutri que não me ouça).

Não pude deixar de me entristecer pela notícia de que o Brasil, que já tem uma alta disparidade de gênero, caiu mais cinco posições no ranking do Fórum Econômico Mundial, fechando em 95º lugar em uma lista de 149 países. É a maior lacuna desde 2011.

O resultado foi apresentado por relatório realizado desde 2006, o qual busca analisar progressos obtidos na igualdade de gênero em quatro dimensões temáticas, quais sejam, oportunidade econômica, empoderamento político, nível educacional e saúde e sobrevivência.

Em saúde e educação mantivemos um índice razoável, com bons resultados, no entanto, o grande vilão responsável por derrubar o Brasil no ranking foram as oportunidades econômicas - a queda foi de nove pontos, indo da 83ª posição em 2017 para a 92ª em 2018.

Esse subíndice engloba tanto a participação na força de trabalho quanto a igualdade salarial em trabalho semelhante. Nesse último, inclusive, a situação é alarmante, tendo caído da 119ª posição para a 132ª. Isso, repita-se, em uma lista de 149 países.

Ainda, no que se refere ao empoderamento político, nem a cota foi capaz de segurar o mau posicionamento do Brasil, que saiu de 110º para 112º, estando na 126ª posição no que se refere à presença feminina no Congresso.

Em termos globais, mulheres ocupam somente 34% dos cargos de gestão e que o mundo levará cerca de dois séculos para superar as desigualdades de gênero no mercado de trabalho.

É assustador perceber que tais números referem-se ao grupo que corresponde a 51% da população brasileira e a quase metade da população mundial.

Infelizmente, embora muitos ainda neguem, vivemos em um país que mulheres precisam ouvir que não serão chamadas para um cargo porque "possui útero" (sim, eu mesma escutei isso), cujos governantes e legisladores parecem alheios à realidade da desigualdade de gênero, apresentando soluções fáceis para problemas complexos que somente têm algum resultado em suas propagandas políticas.

Que 2019 nos traga mudanças e transformações levadas à frente por nós mesmas, as únicas que compreendem até onde a diferença de oportunidades afeta nossa vida pessoal e profissional e nos reserva um espaço maior de luta para mostrar nossa competência.

Usemos aquela velha frase que nunca perde seu brilho, portanto: mulheres de todo o mundo, uni-vos!

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